Empreendedorismo e crise: O desafio de tirar a empresa do vermelho

Estudar o próprio negócio pode salvar a empresa com soluções práticas que não comprometem o fluxo de caixa é uma saída 

Quando se fala em empreendedorismo, o planejamento otimista e a enxurrada de ideias acabam frequentemente suprimindo a visão sobre a realidade do mercado. Um dos desafios do empreendedor é analisar e enfrentar crises dentro da empresa, e também fora dela. Como alternativa de auxílio, existem entidades especializadas em consultoria empresarial.

Um caso recente de recuperação foi da Bombril. A marca ficou no vermelho, com uma dívida estimada em R$ 900 milhões. Para melhorar o desempenho, os controladores da companhia contrataram a RK Partners.

O encarregado desse trabalho foi o executivo Luiz Gustavo Silva, que depois de três meses prestando serviço como parceiro, foi contrato efetivamente e tomou medidas que ajudaram a quitar as dívidas e reestruturar a cadeia de negócios. Ações como a venda da linha Lysoform, por 47,6 milhões, trouxeram um pequeno alívio ao caixa, descartando a recuperação judicial em 2015.

O caminho tomado foi o tradicional corte de gastos. Primeiro com demissões e depois focando em produtos com potencial de crescimento, como a tradicional esponja de aço, o detergente Limpol e o desinfetante Pinho Bril. Houve também corte de gastos em mídia e publicidade, com a centralização de propagandas nos postos de venda. A logística mudou e ficou sob a responsabilidade da empresa.

Um passo importante foi e negociação de dívidas fiscais, com fornecedores e bancos. No primeiro trimestre de 2017, a marca registrou lucro de R$ 34,7 milhões. Em 2018, se os planos de recuperação forem bem sucedidos, a Bombril pode voltar à televisão.

Encontrando o problema

O fluxo de caixa apertado de pequenas e médias empresas geralmente esconde problemas estruturais que podem ser solucionados com medidas administrativas práticas. Basta identificar o verdadeiro problema.

Demitir funcionários é uma medida comum, mas custosa. Cortar verbas de publicidade é uma opção, mas pode custar a visibilidade do empreendimento. Ampliar a visão sobre o que acontece no negócio é a opção que garante a tomada correta das decisões. O desafio é reinventar o negócio e criar um modelo sustentável financeiramente.

A opção é realizar projeções de fluxo de caixa por vários meses, incluindo metas de venda, cortes e reestruturação planejada. A intenção desse processo é manter uma regra simples: só pode sair aquilo que entrou.

Entre essas opções, fornecedores e parceiros são considerados vilões do faturamento da empresa, é melhor perder a vergonha de negociar. Como qualquer empreendimento, é importante para fornecedores manter a fidelização dos clientes. Então, uma conversa sobre preços e parcelamento pode ser uma ótima saída onde todos acabam ganhando.

Se mesmo com a negociação a liquidação de dívidas ainda for um problema, a prioridade é quitar aquelas que não comprometem o funcionamento e operação da empresa.

Pensar em aumentar as vendas para garantir capital de giro é arriscado. Em períodos de crise, a empresa encontra na inadimplência uma fator de risco. Afinal, mobilizar mão de obra e garantir a entrega dentro de um cronograma consomem dinheiro e estrutura de logística. Um calote pode desestruturar gravemente o fluxo de caixa e gerar graves consequências ao funcionamento da companhia.

Ainda que uma análise própria sobre o empreendimento seja a opção viável à primeira vista, buscar comunicação com outras empresas e entidades é uma ferramenta poderosa para gerenciar crises. A consultoria empresarial pode encontrar problemas estruturais que o empreendedor não viu, e aconselhar medidas administrativas que garantam a que a empresa saia do vermelho.

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jacqueline

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